Universalidade dos Versos

Ao ler os poemas deste livro de Sônia Maria Santos a gente reconhece uma coerente extensão dos anteriores “A Teia dos Dias” e “Casa do Tempo”. Mas percebe, sobretudo, a profundidade contínua da inspiração, espontânea e expressa em palavras por si nos conduzindo a um paradoxo: e da redução do texto e a universalidade do sentido.

Não é exagero, Sônia evita o jorro dos versos. Contenta-se com a fala natural e rica em mensagem típica, lembrando-nos a tendência metafórica dos hai-kais.

Ouso dizer que se trata de uma poesia moderna, também pela forma e isenção de metro, capaz de sensibilizar qualquer adepto do parnasianismo.

No tumulto da vida neste fim de século, na qual o gênio dos privilegiados introduz engenhos surpreendentes e de forte impacto no comportamento social, sem se lhes ignorar o resultado econômico, a poesia autêntica prevalece pela substância da alma, tão indispensável ao consumo humanizador. É um produto da inteligência e sabedoria, capaz de independer de fronteiras próximas ou longínquas.

E é testemunho a resposta de Stella Leonardos, no Rio ligada ao mundo, quando “entrou na Casa do Tempo”:

Mais que poema restante na página
à prova de vida e morte,
folha-de-rosto do tempo.

Ensaias um círculo de luz
o elmo do tempo
como tua espada
– a dos círculos mágicos.

Outros depoimentos apóiam a obra de Sônia Maria Santos. E ela corresponde a quem aplaude, ao publicar mais este “Mar Invisível”, navegante em paz com o infinito.

José Asmar (da Academia Goiana de Letras).

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