Poesia Valendo Por Si

Desde que a poesia se libertou das regras compulsórias de rimes e métricas, de silabas e medidas, o gênero se abre a manifestações num espaço infinito, onde são as palavras exatas e sonoras que decidem da importância da mensagem. Daí se admitirem ate os artifícios de trapézios ou trocadilhos, mais como proves criativa do que de substância.

Devido à mesma razão, o subjetivo consegue seu lugar sem, contudo, dificultar o entendimento do leitor. E, pois, a poesia valendo por si, por quem a fez sem alegar nada de restrição.

Sônia Maria Santos confirma a virtude dos versos espontâneos. Inclusive, sob qualquer impulso técnico ou de estilo, seu poema dispenses guardas e salvaguardas normativas. Tem conteúdo de alma – a alma da autora na busca do paz com as almas alheias. Conta da linguagem às vezes metafórica, mas pura, direta da produtora aos consumidores.

O notável nesta Casa do Tempo é o salto sentido numa safra que se aperfeiçoa quanto as anteriores, embora a estas o espírito poética também defende vez e hora.

Em matéria literária, a libertação conquistador ou ate exposta como uma mudança natural, gerada pela essência do ramo, é que responsabiliza cada poeta e cada composição. Despida dos adereços rítmicos e parnasianos – sempre em seus módulos indescartáveis -, a poesia moderna cabe identificar se por desempenho autônomo, seja de que tamanho for.

No particular, Casa do Tempo nos mostra a vocação assumida por Sônia Maria Santos, em pleno use de idioma extensível das frases, físicas pela escrita, aos muitos mundos do meditação, receptivos pela ternura expressa

José Asmar
(Da Academia Goiana de Letras)

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